ATMOSFERA,

STIMMUNG,

AURA

Colóquio internacional

05 de agosto . 9h
FAU USP  |  Sala 807

Nos interstícios da filosofia, paisagem e política

Rua do Lago, 876 
Cidade Universitária
São Paulo

APRESENTAÇÃO

Uma das considerações filosóficas mais recorrentes na interpretação e na compreensão, não só de certas culturas ou sociedades, mas de épocas inteiras, é que cada tempo possui os seus conceitos principais e condutores. Neste sentido, não é um mero acaso que os conceitos de Stimmung, Aura e Atmosfera, tenham surgido a partir da segunda metade do século 19 e adentrado os séculos seguintes, em autores como Alois Riegl, Georg Simmel, Walter Benjamin, Martin Heidegger, Hermann Schmitz e Gernot Böhme, como conceitos chaves para expor suas leituras estéticas, fenomenológicas e ontológicas da modernidade e da disposição do humano como um ente sensível e corpóreo localizado no limiar entre a assim chamada Natureza e o que tradicionalmente se considera seu oposto, a Cultura.

O conceito de Atmosfera e, bem antes, os conceitos de Stimmung e Aura surgem no discurso teórico e filosófico a partir da destruição progressiva dos espaços e ambientes naturais e do deslocamento da experiência do sublime da esfera do natural e dos seus fenômenos e aparências mais diversas, para a esfera do cultural, dos fenômenos e aparências artificiais, sejam eles construções arquitetônicas, invenções técnicas ou simplesmente ações e ocorrências completamente humanas, como as guerras e as suas forças explosivas.

Os conceitos de Atmosfera, Disposição [Stimmung], Aura e também o conceito de Ambiente [Umwelt] ganham importância e atenção num tempo em que tudo aponta para uma tenebrosa mudança climática devida à progressiva destruição da biosfera planetária que atingirá de modo radical a forma de vida humana e a sobrevivência de todos os seres vivos. Essa transformação e destruição da atmosfera planetária pode ser considerada um reflexo ou até uma consequência de um mal estar, de uma indisposição [Verstimmung] do humano em si, de uma destruição das qualidades atmosféricas na economia dos sentimentos do humano, uma indisposição do pathos, uma apatia contagiante que perfura globalmente a atmosfera, a esfera interior e exterior do humano e do não humano na terra. Trata-se, portanto, de conceitos abrangentes que concernem aos mais diversos domínios e escalas.

Atmosferas e Disposições são fenômenos que se espalham no espaço conferindo-lhe um caráter específico, embora sempre transitório e mutável. Podem estar presentes simplesmente, surgindo do natural; podem ser naturais e culturais; ou podem ser totalmente criadas e direcionadas como instrumentos de desenho e de construção de um determinado objeto ou espaço (na arquitetura, no paisagismo, no design) ou de uma determinada sociedade (na política).

O humano, como todos os outros seres vivos, experimenta sempre e produz, até um certo ponto, atmosferas e disposições, que são fenômenos perceptíveis apenas através da nossa presença sensível e corpórea, não apenas física, mas vivida ao habitar e ao trespassar os espaços, ambientes e paisagens. São fenômenos dos interstícios, nem objetos nem sujeitos, mas justamente emanações dos objetos e dos sujeitos e, sobretudo, manifestações específicas de um terceiro situado entre sujeito e objeto, imprescindíveis para a constituição de vínculos ou elos associativos e comunicativos entre as mais diversas aparências.

Reconhecer a presença e a importância desses fenômenos em suas diversas dimensões e formas de expressão justifica a abertura deste Colóquio a distintas áreas de conhecimento e de atuação (arquitetura, paisagismo, literatura, artes, psicologia, ecologia...) apostando nas perspectivas oferecidas por seus múltiplos pontos de contato.

Dirk Michael Hennrich

PROGRAMAÇÃO

9h - 10h30 | Atmosferas das metrópoles

Dirk Michael Hennrich | Sobre a constituição e destruição das disposições e atmosferas na modernidade

Luanda Francine Garcia da Costa | Proprietarismo, poluição e expulsão das paisagens naturais na aletosfera 

Roberto Rüsche | Metrópole e paisagem

10h30 - 11h15 | debate

11h30 - 12h30  

Willi Bolle | Uma travessia de Berlim: caminhada ou flânerie? 

12h30 - 14h | almoço

14h - 15h30 | Atmosferas e interstícios

Arthur Simões Caetano Cabral | Sentir, imaginar, expressar: atmosferas e paisagens nos interstícios urbanos

Igor Guatelli | Enquanto que... Restâncias

Michiko Okano | MA: a percepção do entre-espaço no Japão

15h30 - 16h15 | debate

16h30 - 17h

Vladimir Bartalini | Vestígios e sobras

17h - 17h30 | debate e conclusão

* O evento é gratuito e não haverá inscrições prévias.

* Haverá emissão de certificados de participação

COMISSÃO ORGANIZADORA:

Arthur Simões Caetano Cabral

Dirk Michael Hennrich

Vladimir Bartalini

 
 

LABPARC

2019

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now